Adão e Eva e a doutrina do Pacto

Adão, o primeiro homem criado, é a raiz da humanidade. Toda a raça humana descende dele. Não existe nenhuma excessão! Até mesmo Eva, a mulher que Deus fez para ser a auxiliadora de Adão, foi criada a partir de sua costela, sendo assim, originada dele. Por ser o primeiro, Deus o fez com o papel de ser o cabeça da raça. Todo o papel de liderar foi dado a ele. Adão era o chefe e o representande de sua casa (Adão e Eva, a primeira família humana). Quando Deus entrou em aliança com Adão, Deus o fez por ser ele o representante legal, constituído por Ele mesmo (Deus), para representar-nos.  Os capítulos iniciais de Gênesis, após o relato da criação, narram essa posição pactual entre Deus e o homem. Adão representava toda a humanidade antes da queda. Cada ato de Adão foi considerado um ato de cada um de nós. Cada virtude de Adão seria, então a minha virtude e a sua. Cada benção recebida pela obediencia seria imputada a todos os seus descendentes, a raça humana. Porém, cada falta, cada transgressão, assim como a punição decorrente dessa dosobediencia seria lançada sobre Adão e sobre a sua descendencia igualmente. Estas punições são a “maldição do pacto”, caso ele fosse quebrado por Adão. Não somente as bençãos seriam recebidas por imputação pela humanidade, mas também a maldição. Resultado: Adão não obedeceu ao Pacto e recebeu toda a maldição que lhe estava associada; assim, toda a humanidade, consequentemente, foi manchada e recebeu igualmente a maldição, pois “todos pecaram.” Essa é, resumidamente, a doutrina do pacto (Pacto das obras).

Pela embriaguez arminiana, boa parte da igreja desconhece essa doutrina. Certa vez, lembro de alguém comentar: “não entendo porque eu sou punido, nascendo em pecado, se foi Adão que pecou e não eu. isso me parece injusto.” Obviamente que receber punição pela culpa dos outros é injusto, porém, quando uma pessoa legalmente nos representa, cada ato e palavra dele passa a ser nosso. Se ela erra, eu erro com ela. Foi assim que o Criador estabeleceu, e não há nenhum tipo de injustiça em Deus.

Recentemente recebi uma correspondencia com algumas questões teológicas a serem usadas no exame de semanarista para ingressarem ao ministério pastoral. Notei, dentre outras, que a doutrina do pacto era desconhecida, o que levava a perguntas equivocadas. Resolvi escrever uma carta, comentar algumas das perguntas e tecer outras observações que julguei serem pertinentes. Eis um trecho da carta que enviei: 

“Li todas as perguntas e examinei-as bem. Senti falta de uma abordagem mais focalizada na doutrina da Soberania de Deus. Principalmente diante de tantos acontecimentos, que a cada dia ganham mais destaque nas mídias (refiro-me aos tsunamis, aos tornados e ciclones, as enchentes, aos furacões, terremotos, ao frio intenso, às surpreendentes ondas de calor e secas, e aos deslizamentos de terra, como os últimos que vitimaram até agora, mais de 700 pessoas no Rio). Em nossos dias, principalmente, devemos entender a doutrina da Soberania absoluta de Deus, a fim de não cairmos no erro de dizer que “Deus não tem nada a ver com isso”, diante de tantos acontecimentos catastróficos. A Bíblia nos diz que Ele determina até mesmo o destino dos pardais. Observei também alguns equívocos nas perguntas 22 e 32 e gostaria de comentá-las:

22 – Qual a semelhança de Deus ao homem? Na verdade, a pergunta está invertida. Não é Deus que se assemelha ao homem, mas o homem que se assemelha a Ele, visto ter sido o homem criado segundo “a imagem e semelhança de Deus”. A pergunta é essencial, se for feita de modo correto, do contrário, uma controvérsia teológica pode surgir durante um concílio. A pergunta inverte os valores da criatura e do criador, elevando a criatura e rebaixando o criador.

Quanto à próxima pergunta, o problema é mais grave:

32 – O homem é pecador porque vive pecando, ou pecador por que Eva pecou? O “espírito” da pergunta é investigar se o conciliado entende a doutrina da imputação do pecado sobre toda a humanidade: “TODOS PECARAM, e destituídos estão da glória de Deus – Rm 3.23”. A pergunta é boa e também a considero essencial no exame. O homem vive pecando porque é um pecador filho de Adão! Ele carrega a natureza pecaminosa e recebeu a punição de Adão, ou seja, ele herdou a culpa de Adão, sendo assim, o homem já nasce “MORTO em delitos e pecados – Ef 2.1,5”. Esse é o referencial para entendermos a Depravação Total, de todas as faculdades do ser humano. Não existe bebê sem pecado ou inocente. Porém, o problema da pergunta está em seguir o mesmo erro da serpente, invertendo as posições pactuais. Perceba que o homem é considerado pecador, não porque Eva pecou, mas porque Adão pecou. A Bíblia diz que “por UM SÓ HOMEM entrou o pecado no mundo – Rm 5.12” e diz também que “Porque, assim como, EM ADÃO, todos morrem – 1 Co 15.22”, e Cristo, aquele que substituiu Adão, é chamado de “o segundo Adão” (1 Co 15.45). O pacto de Deus, que resultaria na vida ou na morte da humanidade, foi realizado entre Deus e Adão, não entre Deus e Eva. Eva pecou, no entanto, foi o pecado de Adão que nos arruinou. Ele era o “procurador”, por assim dizer, de sua posteridade, descendência: a humanidade. Não carregamos a culpa de Eva, nem a culpa de Adão e Eva; carregamos a culpa de Adão somente. O homem é pecador por causa de Adão, não por causa de Eva. A terra foi amaldiçoada por causa do pecado de Adão: “maldita é a terra POR TUA causa – Gn 3.17”, e não por causa de Eva.

Com amor, em Cristo.”

 

Pr. Marcus Paixão

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    • marcuspaixao

      Bem, veja só. Adão era o representante de toda a raça humana, portanto, foi o seu pecado que causou a ruína da humanidade. O pacto foi feito entre Deus e Adão. Adão representava pactualmente a humanidade, inclusive sua mulher Eva. Porém, quem comeu primeiramente o fruto foi Eva, portanto, ela desobedeceu primeiro. No entanto, ao meu ver, seu pecado atingiria apenas ela mesma. E por aí vai…

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