A iluminação do entendimento pelo Espírito Santo

Quando Pedro declarou que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus prontamente lhe esclarece que tão grande verdade não era um produto de seus próprios pensamentos (de Pedro), mas de Deus nele. Embora Pedro tivesse testemunhado muitos milagres, e ouvido abertamente que Jesus era o Messias, o Cristo, contudo, Deus precisou revelar intimamente em seu coração esta verdade por ele confessada. Muitos outros ouviram e viram, mas não deram o mesmo testemunho de Pedro. Lídia era uma mulher comum, mas que foi iluminada por Deus, para entender o evangelho de Jesus Cristo, enquanto Paulo pregava. Ela entendeu, pois teve seu coração (entendimento) aberto por Deus; porém, as demais mulheres presentes, que ouviram a mesma palavra, permaneceram sem entender. A esta obra chamamos iluminação do Espírito Santo.

A iluminação é uma graça de Deus que nos é outorgada por meio do seu santíssimo Espírito, no qual, nossos olhos e coração são abertos, não apenas para entendermos de um modo simples e superficial, mas para entendermos de um modo profundo e espiritual as grandezas de Deus reveladas em sua Palavra. Todos nós, seres humanos, fomos criados com a uma poderosa intelectualidade, que apesar de estar seriamente afetada pelo pecado, e, portanto, diminuída, continua existindo e sendo exercitada. A prova disso está nos avanços da humanidade em todas as ciências. No entanto, nossa intelectualidade quanto à revelação de Deus é de pouco ou nenhum préstimo. A revelação, para ser perfeitamente compreendida pelo homem, precisa ser acompanhada com o poder iluminador do Espírito, pois as faculdades intelectuais humanas por si mesmas são incapazes de adentrar nas profundezas de Deus. Jamais conheceríamos a Deus e sua grandeza, se o Espírito não no-lo revelasse pessoalmente, embora a Escritura, em muitíssimas passagens, declare tal grandeza. Não poderíamos concordar com o terrível estado de pecado que nos encontramos, se o Espírito não nos comunicasse isso através da iluminação interior. Sem a ação do Espírito Santo a Bíblia jamais poderia ser compreendida por nós.

Calvino declara esse mesmo raciocínio, quando frisa que é “Por isso que o apóstolo afirma que os crentes que recebem a Cristo não nascem nem do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas unicamente de Deus; como se dissesse que a carne não é capaz de tão alta sabedoria como a de compreender Deus e o que a Deus pertence, a não ser que seja iluminada pelo Espírito Santo.” Obviamente que aqueles que não têm a mente iluminada do alto, julgarão “loucura” a mensagem do Evangelho. Jamais poderão entendê-la, ainda que se empenhem em estudar incansavelmente a Palavra, não podem adentrar na sabedoria e na verdade de Deus, não porque tais virtudes não estão presentes, pois estão, mas por serem incapazes espiritualmente.

Isso leva o homem a uma grande dependência da graça de Deus através da ação iluminadora do Espírito. Temos a revelação especial, a Bíblia, mas não podemos entender espiritualmente as maravilhas da lei de Deus que estão ali reveladas tão claramente. Ora, é como um homem que tem um valiosíssimo tesouro em um baú de aço, mas não tem a chave do baú. Não pode adentrar ao tesouro. Se estivermos conscientes de nossa incapacidade e de nossa dependência a Deus, supliquemos a ele misericórdia e graça. Supliquemos a Deus, como Davi fez, que “desvende nossos olhos para contemplarmos as maravilhas de sua lei.” Quanto maior nosso senso de incapacidade, maior será nosso senso de dependência de Deus.

Quando nos voltarmos para a leitura da Palavra, devemos, antes de mais nada, recorrer ao Senhor das Escrituras, àquele que a inspirou com seu sopro, ao seu autor espiritual, a fim de rogarmos que ele as “revele” à nossa alma. Ao ouvirmos o sermão, precisamos do Espírito que ilumina o coração para nos deleitarmos na verdade. A palavra só produzirá fruto em nossa alma se o Espírito de Deus a plantar ali. Ele é vital em nossa vida. A incapacidade, resultante da total depravação humana, pode parecer absurda para alguns intelectuais, que produzem grandes feitos para a humanidade. Muitos destes, pagãos inclusive, revelaram-se em estado de iluminação quando produziram suas excelentes obras. Porém, esta inspiração, apesar de ser fruto do Espírito de Deus, difere daquela, que é de natureza mais complexa, por ser espiritual. Até mesma a inspiração para compor uma estrofe poética, uma sinfonia, um acorde, um pensamento filosófico correto, e tudo o mais, é certo que advém do Espírito, que neste sentido mais geral, atua também nos pagãos. Sem o Espírito, nem mesmo as coisas mais simples poderiam ser realizadas, o que dizer, então, das coisas espirituais? Precisamos do Espírito! Dependemos Dele! Sem Ele, permaneceríamos cegos.

Pr Marcus Paixão

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