Comentário sobre a família, segundo as confissões de fé dos batistas

Este artigo, baseado nas confissões de fé produzidas pelos batistas na história, faz parte de um material mais amplo. Apresentamos aqui um recorte sintético do artigo original, escrito por Marcus Paixão.

FAMÍLIA E CASAMENTO

O tópico casamento faz parte do tema família. A Confissão de Fé Batista de 1689 (CFB 1689) traz em seu capítulo 25 o casamento como um tema central e único, e não o tema mais abrangente da família. No entanto, as confissões que os batistas prepararam mais recentemente abordam o casamento dentro do tema maior: família. Trazem artigos sobre a família a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira (DDCBB) e a Mensagem e Fé Batista 2000 (MFB 2000). A Primeira Confissão Londrina, a Confissão Batista de New Hampshire (CFNH) e a Mensagem e Fé Batista 1925, bem como sua revisão de 1963 (MFB 1925, 1963) não trazem nenhum artigo expondo a família ou o casamento.

Quanto à Origem do Casamento e da Família:

As declarações quanto à origem da família, bem como do casamento, que a antecede, estão presentes em partes das confissões estudadas. Segundo o padrão do próprio Criador, não deveria haver família sem que primeiro fosse concretizada a união conjugal do homem com a mulher. A primeira família da terra se deu com a união de Adão e Eva e com a benção dos filhos advindos desse relacionamento. Obviamente que pode existir família sem que antes seja consumado legitimamente o casamento. Porém, tal família foi constituída de forma contrária aos padrões de Deus. Ou seja, assim como a união sexual muitas vezes acontece entre pessoas que não são casadas, também uma família pode surgir a partir de um casal heterossexual que não esteja propriamente casado. O fato é que embora isso aconteça, não significa que essa seja a maneira correta. Um relacionamento como esse pode, mas não deve acontecer, pois trata-se da quebra das regras de Deus para a união do homem e da mulher.

A maneira que Deus escolheu para constituir a família foi ligando o homem e a mulher por meio do casamento. Casamento e família, portanto, estão intimamente relacionados. A origem de um está na origem do outro, e a origem de ambos estáem Deus. Ocasamento e a família não são invenções humanas; não são derivados da sabedoria do homem. A CFB 1689 aponta a origem do casamento, enquanto que a declaração da CBB foca na origem da família, e a MFB 2000 assegura o divino propósito da família estabelecido pelo Criador. Ambos os textos definem tanto o casamento quanto a família como oriundos de Deus.

A CFB 1689 opta por apresentar, em lugar da família, como fazem as demais declarações, o casamento: “O casamento foi ordenado”, isto é, foi estabelecido por Deus, organizado de tal maneira que seguirá o propósito intencional do Criador. Em sua construção gramatical, a declaração da CFB 1689 é muito semelhante à MFB 2000, como veremos adiante.

A Declaração da CBB expondo o tema assegura que a origem da família é divina: “A família, criada por Deus …”. Nesse caso, a sabedoria de Deus pode ser vista tanto na sabedoria em criar a família, no sentido de projetar ou ter a idéia da instituição em sua mente, antecipando uma lacuna que de outra forma jamais poderia ser preenchida; como na sabedoria em dirigir providentemente os homens e as mulheres para chegarem a este fim. Assim, toda família da terra foi sabiamente projetada por Deus e providentemente cada indivíduo foi propositadamente levado a conhecer seu par, ao ponto de firmarem uma família pelos laços do matrimônio. Por isso é corretíssima a declaração da CBB de que a família foi criada por Deus, pois além de sua sabedoria no projeto, seu poder providente assegura a existência das famílias.

A Mensagem e Fé Batista 2000 segue na mesma direção: “Deus ordenou a família”. A idéia é que Deus teve um propósito estabelecido com a criação da família. Ordenar, como traz o texto, significa colocar sob uma ordem, estabelecer com uma função própria; organizar para uma determinada finalidade.

Quanto à Posição da Família

A família ocupa uma posição de honra entre todas as outras instituições. Seu patamar é o mais elevado. As confissões batistas reconhecem sua preeminência e sua dignidade. A Declaração da CBB apresenta a família como “a primeira instituição da sociedade.” Isso indica que a família precede a própria igreja como instituição. Obviamente que a igreja e a família são termos intercambiáveis em muitas passagens bíblicas. Os crentes são “filhos de Deus”; são também o “povo de Deus” e a “família de Deus”. Toda sociedade da terra é composta por famílias e tem seu princípio de existência a partir das famílias que a compõe. Como primeira construção social, a família deve ser vista como uma instituição essencial par a humanidade.

A mensagem e Fé Batista 2000, em seu texto, destaca a família “como instituição fundamental da sociedade humana.” A ênfase apresentada pela MFB 2000 gira em torno da grande importância da família, quando esta está formada nos moldes de Deus, para toda sociedade existente, e isso independe de religião, cultura ou economia. A família é central para a boa sociedade humana. Obviamente, a família nos moldes de Deus é aquela formada pelo marido, esposa e filhos, a família nuclear. Se essa estrutura for modificada, a família se esfacelará rapidamente, e com ela a sociedade. A família é a grande escola humana, onde os valores morais começam ser formados nos seus membros através da educação dos pais aos filhos.

Portanto, a declaração da CBB aponta a família como a primeira instituição da sociedade e a MFB 2000 apresenta esta primeira instituição como fundamental para a sociedade. A CFB 1689 silencia sobre esse aspecto.

Quanto aos componentes de uma família, a FMB 2000 esclarece: “Ela é composta de pessoas ligadas entre si por casamento, sangue ou adoção.” Em cada membro da família existe uma ligação que os torna ‘próximos’. O marido está ligado à sua esposa pelo pacto do casamento. A relação sexual entre os cônjuges ratifica esta aliança. Os filhos estão ligados entre si e aos pais pelos laços sanguíneos, biológicos; e os filhos adotivos estão ligados aos pais e aos irmãos pelos laços da dignidade e do amor. Assim como nós estamos ligados ao Pai e ao Filho por sermos seus filhos e irmãos, embora adotivos, também alguns indivíduos estão ligados aos familiares adotivos e juntos formam uma família. Portanto, a adoção assegura a participação na família, seja ela terrena ou celestial.

Quanto aos Cônjuges:

A CFB 1689 inicia o tema apontando os pares do casamento: Um homem e uma mulher. Portanto, o casamento legítimo e de acordo com o preceito de Deus é aquele que segue o modelo monogâmico e heterossexual. O texto da CFB 1689 é explicito: “O casamento é para ser entre um homem e uma mulher.” A Mensagem e Fé Batista 2000 (MFB 2000) tem o mesmo entendimento sobre o assunto, destacando em seu texto que “o casamento é a união de um homem e uma mulher.”

No entanto, a Declaração Doutrinária da CBB, estranhamente, não destaca a natureza sexual desta união. Nada é mencionado quanto ao cônjuge. Isso pode gerar uma má interpretação e prover terreno para futuras distorções da doutrina. Em dias de avanço do movimento homossexual e com leis e governos cada vez mais favoráveis à imoralidade, seria de bom tom uma urgente revisão no texto para o acréscimo de uma sentença que defina o casamento como a união entre um homem e uma mulher, não dando margem para dúvida. Obviamente que não estamos tentando insinuar que a posição da CBB é diferente do posicionamento cristão ortodoxo ou que é duvidosa. Entendemos que a posição da CBB é a defesa do casamento heterossexual. No entanto, o texto da declaração é frágil, obscuro e carece ser reformulado.

Quanto à Natureza:

As três confissões Batistas que abordam o tema apresentam concordância de que o casamento deve ser uma união monogâmica: UM homem e UMA mulher. Obviamente que nenhum dos cônjuges pode ter mais de um parceiro. O texto da CFB 1689 e taxativo: “Não é lícito ao homem ter mais de uma esposa, e nem à mulher ter mais de um marido ao mesmo tempo”. O texto da Declaração da CBB apresenta a base da família sustentada por uma união conjugal monogâmica: “Sua base é o casamento monogâmico.” Aqui pode haver argumento em favor da defesa da união heterossexual implícita na declaração dos batistas do Brasil, já que a monogamia aponta para um relacionamento com apenas uma pessoa, ou seja, o marido e a esposa. Mas como o horizonte da família não é nada promissor no Brasil, levando em consideração que o movimento homossexual pressiona o governo e a sociedade para que aprove leis em favor do casamento gay, o que já existe em vários países e está para ser aprovado por muitos outros, não seria difícil imaginar um passo além: a poligamia legalizada e até a poligamia homossexual. Mesmo não sendo a poligamia aceita por lei no Brasil, e nem o casamento gay, sabemos que estas uniões existem na realidade do povo brasileiro. Muitos são os ‘casais’ de gays que residem juntos há anos, e mais numerosos ainda são os casos de homens com mais de uma mulher e família. Obviamente que a defesa da monogamia contida nesta declaração está em sintonia perfeita com a Palavra de Deus.

Já o texto da MFB 2000, assim como o texto da CFB 1689, apresenta sua posição contra a poligamia com as seguintes sentenças: “O casamento é a união de um homem e uma mulher”. Com essa afirmação, as bases do casamento monogâmico estão asseguradas. Um homem e uma Mulher indica relação dual, numérica. Ultrapassar o limite de uma esposa para cada homem e um marido para cada mulher seria poligamia. Portanto, a declaração presente na MFB 2000 é monogâmica. Há ainda um complemento para esta declaração. No segundo parágrafo, lemos: “Ele é um dom de Deus (…) para prover para o homem e a mulher no casamento um meio de companheirismo íntimo.” Ora, o casamento define a pessoa com quem o cônjuge se relacionará sexualmente até a morte.

Nas edições anteriores de Mensagem e Fé Batista de 1925 e 1963 não existe o artigo família. Este artigo está presente na revisão da confissão do ano 2000. Obviamente, diante da enxurrada de ataques que o modelo tradicional da família e do casamento vinha (e continua) sofrendo, mais do que nunca se fazia extremamente necessário que os batistas se manifestassem com toda clareza sobre um tema tão fundamental para a sociedade.

Os propósitos da família e do Casamento

A CFB 1689 define o propósito do casamento apresentando três aspectos de suma importância: “para o auxílio mútuo entre marido e mulher, para a propagação da humanidade por uma descendência legítima, e para impedir a impureza.” A Declaração da CBB, tratando da família, apresenta as seguintes razões: “para o bem do homem (…) O propósito imediato da família é glorificar a Deus e prover a satisfação das necessidades humanas de comunhão, educação, companheirismo, segurança, preservação da espécie e bem assim o perfeito ajustamento da pessoa humana em todas as suas dimensões.” A Mensagem e Fé Batista 2000 traz a seguinte afirmação para o propósito do casamento: “para revelar a união entre Cristo e Sua Igreja e para prover para o homem e a mulher no casamento um meio de companheirismo íntimo, o canal de expressão sexual de acordo com os padrões bíblicos, e os meios para a procriação da raça humana.”

Observando os propósitos mencionados nas três confissões de fé dos batistas, observamos: A primeira função do casamento é o auxílio mútuo entre os cônjuges. O marido, apesar de exercer a liderança da família, não o faz sozinho. A mulher foi-lhe dada como uma auxiliadora. Cabe a ela o zelo pelo lar e o cuidado maior com os filhos. O homem, por outro lado, deve ser o guardião de sua esposa e de sua família, liderando-a com sabedoria através do ensino obtido pela Palavra de Deus. Ele também é o sustentador da família. Nestes aspectos, marido e mulher auxiliam-se um ao outro, de forma que o casamento cumpre um dos seus propósitos.

O segundo aspecto, a propagação da humanidade por uma descendência legítima só pode ser visto em um casamento heterossexual. Como um casal gay pode propagar descendente? Como podem cumprir esse aspecto do casamento? A união homossexual, caso prevalecesse na sociedade, indubitavelmente levaria a extinção da raça humana. Por outro lado, a união do homem e da mulher pelo casamento promove o meio legítimo para que a raça humana se multiplique. Neste aspecto, a clonagem humana também é condenada, por ferir o princípio natural de propagação do homem. Portanto, descendência legítima significa filhos gerados no casamento e não fora dele.

Terceiro, para impedir a impureza. A relação sexual é aceitável, natural, e promove o crescimento da massa humana do modo ordenado por Deus. No entanto, as relações sexuais extraconjugais ou pré-matrimoniais que geraram filhos, propagaram a descendência humana de forma ilícita e condenada por Deus, além de serem atos ilícitos em si mesmos. São formas de relacionamento consideradas impuras, assim também como as relações homossexuais. O casamento é a porta aberta para evitar relações erradas.

Quarto, o bem do homem ou humanidade. Tratando da família, ela foi ordenada para o bem do ser humano. O termo ‘homem’ parece sugerir a idéia de humanidade no texto da declaração. Foi assim no Éden: Adão estava solitário até que Deus lhe deu graciosamente uma auxiliadora idônea. Foi através deste primeiro casal que derivou toda a humanidade. Em termos naturais, a família garante a continuidade da espécie. A família também garante o prumo da sociedade.

Quinto, Glorificar a Deus. De todos os propósitos apresentados em todas as confissões de fé, nenhum define tão bem como o faz a declaração da CBB, quando afirma que o propósito da família é glorificar a Deus. Este é o grande e principal propósito da existência da família e do homem pessoalmente. Uma família que vive os princípios estabelecidos por Deusem sua Palavra, que vive em obediência ao seu Criador, e que segue exaltando a Deus, certamente, é uma família que glorifica a Deus.

Sexto, para prover a satisfação das necessidades humanas de comunhão, educação, companheirismo, segurança, preservação da espécie e bem assim o perfeito ajustamento da pessoa humana em todas as suas dimensões. A solidão de Adão teve fim quando ele recebeu sua esposa Eva e passou a ter comunhão com ela. A comunhão é um dos propósitos da família. Os filhos são um suplemento para a comunhão do casal. A família é um celeiro de boa educação. No seio da família os filhos são instruídos a cerca do Criador, da moral cristã, da cultura, das ciências e em uma série de outros pontos.

Sétimo, Revelar a união entre Cristo e a Igreja. Obviamente este aspecto é ilustrativo. O próprio Deus usou a figura do casamento para ilustrar o relacionamento Dele com o seu povo. E utilizou a mesma ilustração para apresentar os modos de relacionamento familiar, que devem ser tão profundos como os de Cristo para com a igreja.

Oitavo, Para definir o cônjuge. Como vimos, o casamento define o cônjuge que passará a se relacionará intimamente. Esta relação fará dos dois cônjuges ‘uma só carne.’

Nono, Para o gozo sexual de acordo com os padrões bíblicos. O sexo é essencial para a existência da família. É por meio dele que todos os homens são gerados e, além do mais, ele é parte da benção do Criador aos casais. Além de ser indispensável para dar continuidade à descendência, o sexo também é prazeroso. Homens e mulheres casados têm direitos legítimos a esse prazer. No entanto, o sexo deve ser praticado dentro de padrões de santidade exigidos pela santa lei do Senhor. Nem a promiscuidade e nem a perversão sexual devem ser cogitados no casamento. Práticas sexuais tão corriqueiras no mundo ímpio, onde o próprio ato sexual é mudado, distorcido, macula a santidade do casamento. Embora casados, existem limites na prática sexual: Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hebreus 13.4). Aos casados cabe um relacionamento íntegro, de amor, e livre de abusos.

Quanto à Duração do Casamento

A Declaração da CBB ensina que o casamento deve ser “duradouro, por toda a vida, só podendo ser desfeito pela morte ou pela infidelidade conjugal.” Deus não instituiu o casamento com a intenção de tentar unir um homem e uma mulher, mas, de fato, para unir, ligar, tornar uma mesma carne a ambos. O divórcio não faz parte do casamento na concepção divina. A declaração da CBB aponta o casamento como uma união que deve ser duradoura. Imediatamente entendemos o que o termo duradoura representa: por toda a vida. A declaração da CBB ensina que duas são as causas que podem por fim ao casamento: morte e infidelidade conjugal, mas nenhuma porta é aberta para um novo casamento.

A MFB 2000 afirma que o casamento é uma “aliança de compromisso para toda a vida.” Quem resolve por casar, resolve unir-se por toda a vida. É um grande e longo compromisso. A Mensagem e Fé Batista 2000 vê o casamento como um pacto sagrado. Um pacto que não pode ser quebrado e que apenas a morte o interrompe: por toda a vida. As duas declarações são exatamente iguais no seu sentido. A CFB 1689 não menciona a durabilidade do casamento nem abre espaço para divórcio ou novo casamento.

A idéia do casamento como um pacto fortalece a união mais do que qualquer lei humana ou contrato humano, pois é um pacto firmado com durabilidade por toda a vida:

O casamento é uma aliança. Na verdade ele pode ter um aspecto contratual, ele tem um aspecto legal, ele tem um aspecto de arranjo de vida, mas casamento como aliança é muito mais (…) Casamento é uma relação de ligação entre um homem e uma mulher. Casamento é o vínculo de amor e de vida que une um homem e uma mulher que estão sendo unidos para o resto de suas vidas até que a morte os separe (VAN GRONINGEN, G e Harriet. A Família da Aliança. Ed. Cultura Cristã, São Paulo, 2002. p. 43).

Algumas questões difíceis estão associadas ao casamento. O divórcio e o novo casamento tem sido uma grande dúvida para a maioria dos cristãos. No entanto, a Bíblia afirma que o divórcio foi permitido por Moisés por causa da dureza de coração, mas no princípio não foi assim. Ou seja, não havia brecha nenhuma para o divórcio. Quanto ao novo casamento, parece ser ainda mais evidente a proibição para tal. Paulo escrevendo aos romanos disse: “Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.” (Romanos 7.2-3). E também: “A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor. (1 Coríntios 7.39). Nestas duas passagens Paulo usa duas vezes o termo de,detai (ligar, amarrar) para indicar a condição da esposa em relação ao marido.[1] O novo casamento não pode ser concebido biblicamente por este fato: enquanto o marido viver, a esposa está amarrada a ele pelos laços do matrimônio. Só a morte pode quebrar estes laços, a infidelidade ou qualquer outro motivo não podem desligar a mulher do marido. Só a morte do cônjuge abre espaço para um segundo casamento.

A Confissão de Fé de Westminster, de 1647, no seu capítulo XXIV, seção V, argumenta em defesa de um novo casamento, caso haja infidelidade por parte de um dos cônjuges. A confissão considera como se a parte infiel estivesse morta e então a porta para um novo casamento é aberta. No entanto, esta idéia de considerar morta uma pessoa que está viva não pode ser provada pela Bíblia. Comentando a Confissão de Westminster, o teólogo e professor do Seminário Teológico de Princeton, A. A. Hodge, adiciona ainda que “as únicas causas sobre as quais qualquer autoridade civil pode dissolver a união daqueles a quem Deus uniu são: a. adultério; b. deserção intencional, infundada e irreversível.” Além do adultério, Hodge observa ainda um outro motivo que pode ‘desligar’ o casal: a deserção intencional infundada ou irreversível. Ele continua seu comentário:

“Isso [o divórcio] é permitido por Paulo ao esposo ou esposa cristã, abandonado por seu cônjuge pagão. 1 Co 7.15. A razão, no presente caso, é também por si só evidente, visto que tal deserção, sendo total e irreversível, faz o casamento um nome vazio, isento de toda realidade; e, sendo infundado, deixa a parte desertora sem quaisquer direitos de se defender” (HODGE, A. A. Confissão de Fé de Westminster: Comentada por A. A. Hodge. Editora Os Puritanos, 2ª edição, 1999. pp. 416-417).

Para Hodge, em caso de abandono definitivo de um dos cônjuges, as autoridades civis tem poder para dissolver o casamento que Deus uniu. Porém, as palavras de Jesus parecem contradizer o teólogo de Princeton: “Portanto, o que Deus uniu não o separe o homem.(Mateus 19.6).

Entendemos que nada pode anular o pacto do casamento. Quanto a um segundo casamento, somente a morte de um dos cônjuges o torna lícito. Entendemos que nem mesmo o adultério anula ou desfaz o primeiro casamento. Portanto, a infidelidade não abre espaço para um novo casamento, pois ele é uma aliança válida “enquanto vive o marido.”

As Peculiaridades de Cada Confissão de Fé

Cada uma destas confissões apresenta pontos que não são tratados em nenhuma das demais. São, portanto, peculiares a cada documento e nos são úteis para expandir nossa visão do casamento e da família. Examinaremos agora cada um destes pontos.

Confissão de Fé Batista de 1689

A segunda confissão de Londres apresenta, em dois parágrafos, o seguinte texto:

“O casamento é lícito para todos os tipos de pessoas, desde que possam dar o seu consentimento racional. Porém, o dever dos cristãos é casarem-se somente no Senhor. Por isso os que temem a Deus e professam a verdadeira religião não devem casar-se com incrédulos ou idólatras, para que, casando-se, não se ponham em jugo desigual com uma pessoa iníqua, ou com quem defenda uma heresia condenável.

Não devem casar-se pessoas entre as quais existam graus de parentesco ou consangüinidade que sejam proibidos na Palavra de Deus. As uniões incestuosas jamais poderão ser legitimadas por qualquer lei humana ou pelo consentimento das partes, pois não é correto tais pessoas viverem juntas, como marido e mulher.”

Considerando o casamento como uma benção para a humanidade, a confissão assegura que “O casamento é lícito para todos os tipos de pessoas, desde que possam dar o seu consentimento racional.” Obviamente que esta afirmação defende que qualquer ser humano bem ajustado mentalmente, capaz de entender todas as obrigações que acompanham o matrimônio, e em sã consciência, podem desfrutar desta dádiva divina. O casamento não é um privilégio para os cristãos, mas para a raça humana. Todas as pessoas, de todas as nacionalidades, credos, e de diferentes culturas, ocupando posições diversas na sociedade, em qualquer nível social, podem casar-se.

Nos dias em que a CFB 1689 foi escrita, na década de 1677 (sua primeira publicação se deu apenas em 1689, após o Ato de Tolerância[2]) havia uma acirrada disputa entre os grupos puritanos e os clérigos da Igreja Anglicana, que era a igreja oficial do Estado inglês. A igreja Anglicana não estava purificada, e muito do catolicismo romano era praticado e sustentado por seus líderes e membros. A liturgia do culto era muito similar à missa romana, e ainda muitos outros pontos de semelhança tornava o anglicanismo idêntico à igreja papista, como chamavam os puritanos. A nota da confissão que declara que o casamento é “lícito para todos os homens” reflete o clima de acirramento teológico que envolvia os dois grupos. Os batistas trataram de expor na sua confissão sua desaprovação e discordância à instrução do Vaticano que proibia o casamento dos clérigos católicos.

Embora o entendimento batista seja de que o casamento é lícito a todos os homens, no entanto, alguns casamentos não eram corretos por serem proibidos pela Palavra de Deus. A confissão declara: “Porém, o dever dos cristãos é casarem-se somente no Senhor. Essa afirmação pode ser confirmada em vários textos das Escrituras. Existe uma clara proibição divina para o casamento de um crente com outra pessoa que não professe a mesma fé cristã. O apóstolo Paulo ensina que o casamento pode ser com qualquer pessoa, desde que sejam ambos crentes em Jesus: “mas somente no Senhor” (1 Coríntios 7.39). O casamento misto, entre um cristão e um não cristão, não recebe apoio bíblico, antes, é reprovado.

Embora o ensino bíblico seja claro quanto a esta questão, o casamento misto tem se propagado nas igrejas batistas e evangélicas de um modo geral, que defender esse tema hoje tem sido cada vez mais difícil. Muitos pastores tem afrouxado no que se refere a união mista e não vêem dificuldade alguma realizar um casamento dessa natureza. O tema é desenvolvido mais ainda na confissão: “Por isso os que temem a Deus e professam a verdadeira religião não devem casar-se com incrédulos ou idólatras, para que, casando-se, não se ponham em jugo desigual com uma pessoa iníqua, ou com quem defenda uma heresia condenável.” Em primeiro lugar, evitar o relacionamento com um descrente é dar provas de seu temor a Deus. Temer significa ouvir a santa Palavra e observar a direção que nos é proposta. Significa obediência sem questionamento, evitando andar em caminhos que são condenados. Um cristão sempre dará ouvidos à instrução do Senhor,em sua Palavra.

Em segundo lugar, a verdadeira religião é aquela que ensina todo o desígnio de Deus, sem nada omitir. Assim, entendemos que a pura igreja de Cristo não ensinará e nem permitirá o casamento de seus membros com descrentes. A confissão batista orienta aos fiéis que não casem com “incrédulos.” Aqui, podemos entender incrédulo como alguém que não crer em Deus, que se diga ateu, ou que creia em outra suposta divindade. O casamento com “idólatras” também não é permitido. O idólatras aqui, refere-se claramente a um católico romano, mas não somente a ele. Embora a igreja papista seja o foco principal para tal afirmação, entendemos que qualquer religião idólatra, que cultue imagens de ídolos, está incluída nessa afirmação. Um casamento dessa natureza seria visto como um “julgo desigual”.

Outra proibição pode ser vista quando a confissão acrescenta uma proibição de casamento de um crente “com uma pessoa que defenda uma heresia condenável.” Obviamente que além dos católicos e dos ateus, a confissão aponta para grupos heréticos de toda natureza, especialmente aqueles que eram supostamente cristãos, mas que negavam doutrinas fundamentais. Negação da trindade, da humanidade e divindade de Jesus Cristo, da pessoalidade e divindade do Espírito Santo, da salvação pela graça, e muitas outras doutrinas bíblicas eram ensinadas por muitos grupos, aliás, ainda hoje constatamos tais ensinos em alguns grupos heterodoxos. Aos crentes não é permitido unir-se pelo casamento com pessoas participantes de tais movimentos.

Nos dias em que esta confissão de fé batista foi preparada, a Europa estava embebida de grupos religiosos oriundos da reforma, mas que não refletiam o fiel ensino da Palavra de Deus. Os Anabatistas, os Amiches, Adamitas, Pelagianos e vários outros parecem ser o foco desejado na confissão. Hoje, as igrejas neo-pentecostais que propagam a idéia da prosperidade financeira; que ensinam que os verdadeiros cristãos não podem adoecer, e uma outra série de erros podem muito bem ser enquadradas neste ponto da confissão batista.

No último parágrafo, dá-se continuidade às proibições de alguns casamentos, agora, não mais por motivos de crença: “Não devem casar-se pessoas entre as quais existam graus de parentesco ou consangüinidade que sejam proibidos na Palavra de Deus.” São proibidos por Deus casamentos entre parentes próximos: irmãos com irmãos filhos dos mesmos pais biológicos ou mesmo de apenas um dos pais biológicos. Casamentos do filho com a mãe biológica ou madrasta e casamentos da filha com o pai biológico ou padrasto. Proíbe-se também a união com tios, netos ou, filho ou filha de madrasta ou padrasto, com noras ou genros. A bíblia taxa de “maldade” uniões dessa natureza (Levítico 18; Marcos 6.18; 1 Coríntios 5.1). Biologicamente falando, a consangüinidade pode provocar vários tipos de anomalias nos filhos resultantes deste tipo de união. Moralmente, este tipo de casamento atenta contra a santidade e a pureza do matrimônio, além de afrontar Aquele que o instituiu.

Finalmente, ainda que esse tipo de união seja previsto pela lei de um país, sua legitimidade continua falsa: “As uniões incestuosas jamais poderão ser legitimadas por qualquer lei humana ou pelo consentimento das partes, pois não é correto tais pessoas viverem juntas, como marido e mulher.” Nenhuma lei é superior à lei de Deus, que criou e ordenou o matrimônio. Os cristãos devem continuar firmes em relação às leis estabelecidas por Deus que ditam as normas sobre o casamento. São estes princípios morais que norteiam o casamento que o tornam essencial para a sociedade humana e fazem dele a base para a mesma.

Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira

A Declaração Doutrinária da CBB, em seu último parágrafo relacionado à família, ensina o estado em que ela se encontra: “Caída em virtude do pecado”. Obviamente que o pecado de Adão foi tão terrível que atingiu todos os seres humanos, sem nenhuma exceção. Portanto, como a família é formada por pessoas humanas pecadoras, pode-se dizer que ela também se encontra em estado de miséria. A Bíblia assegura que “por um homem entrou o pecado no mundo … e o pecado passou a todos os homens porque todos pecaram”. Consequentemente “todos pecaram” e por isso “não há nenhum justo sobre a terra”. A instituição santa que Deus criou foi maculada pelo pecado.

A declaração prossegue: “Deus provê para ela, mediante a fé em Cristo, a bênção da salvação temporal e eterna” A salvação é apresentada aqui como uma dádiva que é outorgada por Deus num sentido abrangente e, contudo, pessoal. Essa declaração afirma que o Senhor salva famílias inteiras. Presbiterianos defendem uma teologia pactual de um modo diferente daquela defendida pelos batistas particulares ingleses. A família é a família da aliança, e os filhos, são filhos do pacto, devendo, portanto, serem batizados na infância, pois estão incluídos na aliança salvadora de Deus com o seu povo. São santos e participantes das bênçãos da aliança, que incluem a salvação eterna. Contudo, o entendimento apresentado na declaração batista é que os filhos precisam crê para integrarem a aliança. A salvação da família é possível somente se cada membro da família verdadeiramente crê em Cristo.

A declaração da CBB é verdadeira se for entendida desse modo. Existe uma promessa de salvação para toda a família. A salvação é prometida para “tu e tua casa.” (Atos 16.31b). O texto bíblico tem início apontando o meio que leva tu e tua casa à salvação: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e TUA CASA” (Atos 16.31). Nesta afirmativa bíblica a uma promessa de salvação que se estende à casa , ou seja, a família inteira. Obviamente que a salvação invariavelmente depende do “crê” que a antecede. Não significa que se um dos membros da família for salvo, consequentemente todos os demais membros o serão também. A família inteira será salva se cada membro dela crerem Jesus Cristo. Neste sentido, Deus salva famílias inteiras.

Caída em pecado, a família está inabilitada para cumprir seu papel, mas: “quando salva poderá cumprir seus fins temporais e promover a glória de Deus.” A desarmonia causada pelo pecado provoca a desunião e as contendas na própria casa. Isso se torna um empecilho para que a família cumpra o seu fim, tanto terreno, diante da sociedade, quanto no que diz respeito à promover a glória do próprio Deus. Somente após a reconciliação de cada membro da família com Cristo, ela estará novamente habilitada para promover a glória de Deus através da vida irrepreensível dos seus membros. A família como um lar em harmonia, onde marido e mulher cumprem bem seus papéis no casamento, e os filhos são educados na justiça, disciplinados com amor, honrado seus pais, crescendo na graça e no conhecimento de Cristo, apresenta ao mundo um poderoso testemunho.

Quando a declaração assegura que somente após a salvação a família está apta para “cumprir seus fins temporais”, ela parece reduzir o papel da família. Na verdade, o propósito da família, como vimos anteriormente, é muito vasto: preservar a espécie, educar, unir e estreitar laços de companheirismo, segurança e o ajuste perfeito do homem. Para preservar a descendência humana é necessário que haja o ato sexual entre um homem e uma mulher, sejam eles cristãos ou não. Educar, unir, assegurar e ajustar, em fim, de certo modo todos esse valores podem ser visto em muitas famílias não cristãs, em maior ou menor grau. Obviamente que observar esses valores a partir do padrão da Escritura é o mais alto nível que pode ser alcançado pela família.

Mensagem e Fé Batista 2000

A mensagem e Fé Batista 2000 apresenta dois parágrafos onde se destacam os papéis de cada um dos cônjuges no casamento, bem como o dos filhos. Primeiro destaca-se o valor dos cônjuges. Quem é o mais importante deles? Qual deles tem mais valor? É claro que a Mensagem e Fé assegura a igualdade essencial entre o homem e a mulher: “O marido e a mulher são de igual valor diante de Deus, uma vez que ambos são criados a imagem de Deus.” Na criação, embora o homem tenha vindo primeiro, isso não faz dele melhor ou mais importante que a mulher. Entender esse princípio é de fundamental importância para não cairmos nas ciladas do movimento feminista, que tem se esforçado para distorcer o ensino bíblico sobre esse tema. Homens e mulheres são essencialmente iguais, são seres humanos, dotados de alma racional, com a mesma constituição física, salvo as diferenças anatômicas que definem o sexo e a capacidade de gestação, além do mais ambos são portadores da imagem de Deus. Por que seria razoável achar que o homem tem maior valor que a mulher? Os valores se equivalem justamente por ambos terem sido criados à imagem e semelhança de Deus. A diferença de sexo não implica valores diferentes, mas em desempenhar papéis diferentes.

Quanto ao relacionamento do casal, ele serve de modelo para o relacionamento de Deus com a igreja. O texto da MFB 2000 expressamente afirma isso: “O relacionamento do casamento modela a maneira como Deus se relaciona com o Seu povo.” As figuras que a Bíblia revela sobre o relacionamento de Deus com a igreja, são muitas vezes a figura do casamento. Destacam-se agora as diferenças de papéis no casamento, entre o homem e a mulher. Elas são apresentados nos seguintes termos. Primeiro, o amor do marido pela esposa: “Um marido deve amar sua esposa como Cristo amou a igreja.” Esse tipo de amor, é aquele mais profundo. Cristo amou a igreja de tal forma, e a tal ponto, que entregou a própria vida a favor da igreja. Esse amor é aquele que leva o homem a está disposto a morrer para defender a sua esposa. É amor sacrificial. No casamento, aprendemos que a esposa deve ser amada e protegida, cuidada com carinho, assim como o Senhor Jesus cuida do seu povo. Como esposo, os laços do casamento nos deixam com a responsabilidade de amar e proteger, com a nossa própria vida, nossas esposas. Esse é um papel que o Senhor incumbiu os homens casados. Desconsidera-lo seria não assumir o acordo do casamento como estabelecido por Deus.

Segundo: Ele tem a responsabilidade dada por Deus para prover …” Cabe ao esposo sustentar a família através do trabalho. A Mensagem e Fé Batista traz a lume um assunto bastante atual: a inversão dos papéis no casamento. O homem, no relacionamento do casamento, é o responsável pelo sustenta da sua família em todos os aspectos. Perceba: Trabalhar para sustentar o lar e a família não é um papel da esposa, mas do marido. Esta é uma responsabilidade que Deus deixou sobre o homem e não sobre a mulher. As mulheres, devido a uma série de fatores sociais, não estão tão dispostas a reconhecerem a legitimidade desta ordem. Preferem elas mesmas trabalhar e obter dali o sustento para suas vidas. O movimento feminista foi um dos grandes vilões neste quesito, pois tem trabalhado avidamente para promover a ‘independência da mulher’ no mundo moderno. Hoje constatamos um número cada vez maior de mulheres que literalmente abandonam seus lares e mergulham na vida profissional. O desemprego entre os homens tem aumentado, e isso, em parte, se deve porque muitas mulheres estão ocupando o espaço que legitimamente deveria ser preenchido pela figura masculina.

Além de ser o legitimo provedor da família, ele foi colocado numa posição “… para proteger”. O homem é o guardar do seu lar. O Defensor da esposa e dos filhos. Como homem, ele foi criado por Deus com músculos mais fortes e com uma carga hormonal que lhe garante mais força que sua mulher. Essa virilidade o torna responsável por proteger sua família. Mulheres que assumem o papel do marido cometem o erro, novamente, de ‘roubar a cena’, isto é, de assumir um papel que não lhe cabe. É claro que isso acontece muitas vezes pela inércia do marido, que não desempenha corretamente o seu papel. Ainda assim, os papéis do casamento são claros. Ao homem cabe a tarefa de proteger, sendo a mulher e os filhos os protegidos e não os protetores do marido.

A liderança é outro papel masculino. Observe que segundo a MFB 2000, ao homem cabe “… liderar a sua família.” Este papel também está em perfeita consonância com a Palavra de Deus. Liderar significa guiar a família moralmente e espiritualmente. Ao homem pesa o dever de nutrir com boa instrução a família nos preceitos de Deus. Cabe a atitude de responder em nome da família, de orientar sua esposa e seus filhos.

Temos observado que em muitos lares esse papel também tem sido invertido. Mulheres assumem toda a responsabilidade em liderar a família, e isso, pela falta de liderança por parte do marido. É verdade que muitas mulheres tentam usurpar esse papel masculino para si mesmas. Desconsideram o marido e assumem, na marra, elas mesmas, a função de liderar. Um homem jamais deveria permitir uma atitude assim por parte de sua esposa. Isso mostra covardia e medo, o que não deveria existir na figura masculina do marido em seu lar. Significa não assumir o seu papel no casamento.

Quanto ao papel da esposa, lemos: “A mulher deve se submeter graciosamente à servil liderança do seu marido, assim como a igreja voluntariamente se submete à liderança de Cristo.” O princípio do modelo também é o mesmo. Assim como a igreja está submissa, por amor, a Jesus Cristo, da mesma forma as esposas devem graciosamente estarem submissas aos seus maridos, que são os líderes da família. Submissão não é o mesmo que machismo. Aqui está um parágrafo que foi recebido com ódio por parte de muitas mulheres Norte Americanas. Muitas foram as instituições sociais e familiares que se manifestaram através de notas de repúdio contra as colocações da Mensagem e Fé Batista 2000. Os movimentos feministas também fervilharam em virtude das colocações “machistas” desta declaração batista.

No entanto, o que se vê, não são declarações de machismo ou de inferioridade das mulheres em relação aos homens. O que se vê são declarações inteiramente bíblicas. É obvio, não negamos, que muitas mulheres sofrem abusos e são obrigadas a se submeterem aos maridos pela força. Mas nenhum marido tem o direito de utilizar sua força para obrigar suas esposas à submissão. Submeter-se ao esposo dessa forma é humilhação e crime. No entanto, o tipo de submissão que a Bíblia ordena é aquela idêntica à submissão da igreja para com Cristo. Não é uma submissão imposta pela força. A mulher deve se “submeter graciosamente à servil liderança do seu marido”. A submissão é voluntário, por amor ao marido, em obediência a Deus e respeito ao modelo planejado pelo Senhor para o casamento. Submissão é um papel da mulher no casamento. Não significa inferioridade, diferença intelectual; não é por causa da menor robustez da mulher e nem deve ser vista como machismo. Biblicamente a submissão deve ser graciosa e reconhecida como um dom de Deus. Como a esposa deve ser submissa ao esposo? “assim como a igreja voluntariamente se submete à liderança de Cristo.” Até que ponto a esposa deve ser submissa ao seu marido? Em tudo: “as mulheres sejam EM TUDO submissas ao seu marido” (Efésios 5.24).

Sem deixar margem para distorção doutrinária quanto ao valor das mulheres, a declaração batista continua: “Ela, sendo a imagem de Deus, como é seu marido e, portanto, igual a ele …” Observemos que duas afirmações são ressaltadas aqui. 1. As mulheres, assim como os homens, foram e criadas à imagem de Deus e portanto, são portadoras desta perfeição divina. 2. por serem a imagem de Deus têm o mesmo valor que os homens. Qualquer dúvida no que diz respeito ao posicionamento batista quanto a dignidade e valor da mulher podem ser rapidamente esclarecidas mediante a leitura deste parágrafo. Obviamente que defendemos papéis diferentes para cada um dos cônjuges, mas não valores diferentes. Eles são iguais por serem, ambos, a imagem do Criador.

Às mulheres casadas cabe ainda “a responsabilidade dada por Deus de respeitar seu marido e para servir como seu auxiliar na gestão do lar e nutrir a próxima geração.” Respeitar significa colocar-se em submissão, aceitando a liderança do esposo graciosamente, como o verdadeiro provedor da família. Um relacionamento conjugal que reflete os moldes divino são regados pelo respeito mútuo. A esposa também tem a responsabilidade de auxiliar na gestão da sua casa. Isso não significa que ela deve liderar à parte do marido, mas que deve, juntamente com ele, como perfeita auxiliadora, ajuda-lo na gestão do lar. Obviamente que uma família tem um lar, e, enquanto o marido cumpre o seu papel de provedor, trabalhando para adquirir o sustento da família, a esposa deve manter o lar sempre ajustado, cuidando pessoalmente da segurança e do bem está dos filhos, auxiliando, assim seu esposo.

Finalmente, a Mensagem e Fé Batista 2000 encerra o artigo sobre a família, fazendo menção ao filhos provenientes do casamento: “As crianças, desde o momento da concepção, são bênção e herança do Senhor.” A Bíblia declara em várias passagens que os filhos são uma dádiva de Deus. No entanto, o que o texto da MFB 2000 destaca é que os filhos são uma benção de Deus desde o “momento da concepção”. Quando o texto afirma que os filhos são uma benção, não devemos entender isso no sentido do que eles farão no futuro ou como cuidarão dos pais na velhice, ou mesmo como nos alegrarão na infância. É claro que neste sentido os filhos também são de fato uma benção de Deus aos pais. Mas o principal sentido da declaração é que os filhos são uma benção por serem um dom de Deus, Embora os homens tenham sido criados com a capacidade de reprodução para dar continuidade a raça, a concepção é um dos maiores milagres de Deus. Gerar filhos é uma benção e um dom do Criador. É neste sentido primário que a declaração deve ser entendida. Nenhum dos pais deve gabar-se orgulhosamente de ter gerado filhos, antes, nossa alegria deve ser cheia de gratidão a Deus que nos proporcionou tão grande benção.

Os filhos são chamados de “herança do Senhor”. Mais uma vez a idéia de uma dádiva nos é apresentada. Nós recebemos os filhos como uma herança que recebemos de nossos pais ou parentes mais próximos. Neste sentido, o da dádiva, os filhos são nos dados por Deus. “Os pais devem mostrar aos seus filhos o padrão de Deus para o casamento.” O ceio da família é o lugar ideal para darmos início a educação dos nossos filhos. Diante de uma avalanche de idéia errôneas prevalecentes acerca do casamento; do aproveitamento da mídia para difundir idéias anti-bíblicas acerca do casamento, é obrigação dos pais educar os filhos sobre os valores e o modelo do verdadeiro casamento. Os preceitos ensinados devem ser aqueles que emergem das Escrituras e não da sociedade. Cabe aos pais ensinar aos filhos a origem, a natureza, os propósitos e todas as demais verdades presente no conceito divino de casamento. Parents are to teach their children spiritual and moral values and to lead them, through consistent lifestyle example and loving discipline, to make choices based on biblical truth.Da mesma forma, é obrigação dos pais ensinar seus filhos uma posição contrária às defendidas e praticadas pela sociedade sem Deus. A poligamia, o homossexualismo, o adultério, o divórcio, o segundo casamento sem respaldo bíblico ou os casamentos envolvendo parentes próximos, todas estas deformidades devem ser apresentadas aos filhos como distorções do casamento. A MFB 2000 sabiamente propõe aos pais, que despertem em seus filhos os verdadeiros conceitos e valores do casamento e da família.

Uma outra palavra sobre a responsabilidade dos pais na educação dos filhos é argumentada: “Os pais devem ensinar seus filhos valores espirituais e morais”. As instruções que os pais devem ministrar aos seus filhos não se resumem aos ensinos acerca do casamento bíblico, mas a todos os valores morais e espirituais. É importante frisarmos que essa instrução é dever “dos pais” principalmente, e não dos de fora. Muitas crianças filhas de pais crentes desenvolvem um estilo de vida imoral e sem valores elevados, sem conhecer os conceitos verdadeiros de justiça, e isso, porque os pais confiam toda a educação deles à escola ou a outros. Embora seja obrigatório que nossos filhos estudem em escolas, como pais, devemos estar atentos ao que nossos filhos estão aprendendo. Caso contrário, nossos filhos podem ser desencaminhados nas veredas do engano e da imoralidade, mesmo estando “debaixo de nossas barbas.”

Alguns valores as escolas seculares jamais poderão passar a nossos filhos. O que os nossos filhos conhecerão a respeito de Deus é uma obrigação de cada pai e mãe. As escolas não tem função catequética, principalmente escolas de países estatais onde o laicato é a lei. A instrução religiosa deve ter início no lar, no ceio da família, com a Palavra de Deus à mão.

Os pais devem “levá-los, através do exemplo de vida coerente e disciplina amorosa, a fazer escolhas baseadas na verdade bíblica.” Pais sem estrutura, que não se respeitam mutuamente, que não vivem segundo os valores bíblicos nunca poderão ser bons exemplos aos seus filhos. Cada cônjuge deve se esforçar para viver ordeiramente sua vida e desenvolver seus papéis no matrimônio de acordo com o modelo das escrituras sagradas. O estilo da vida dos pais é didático. Os filhos aprendem através do exemplo prático dos pais no lar e fora dele. Relações bem ajustadas, amorosas, marcarão os filhos sem palavras. “Os filhos devem honrar e obedecer seus pais” A disciplina amorosa também é essencial no lar cristão. Disciplina não é espancamento e nem castigos exagerados. Em todos os seus atos disciplinares, os pais jamais devem deixar de agir com amor. A disciplina é um remédio amargo, mas que servirá para salvar o filho da morte. O exagero na disciplina pode levar os pais a serem vistos pelos filhos como algozes impiedosos. Cada ofensa cometida deve ser tratado de acordo com o dano por ela provocado. Em cada ação disciplinar, os filhos devem observar o grande amor que moveu os pais a isso.

A Mensagem e Fé Batista 2000 ensina que os filhos também têm seus deveres para com os pais: “Os filhos devem honrar e obedecer seus pais.” Baseado no quinto mandamento, os filhos são instruídos a honrar os pais: Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.” (Êxodo 20.12).A desordem familiar atual, como temos apresentado a longo desta exposição, não envolve apenas os cônjuges, mas toda a família. Filhos, que são benção do Senhor, podem tornar-se grandes problemas futuros, se não forem orientados devidamente. É um dever de cada filho amar os seus pais e honra-los com a obediência.

Pr Marcus Paixão


[1] Seguimos o pensamento de Paulo utilizando o exemplo da mulher em relação ao marido. O oposto é igualmente verdadeiro. O casamento ligar um cônjuge ao outro por toda a vida. Algumas mulheres associadas a movimentos feministas tendem a distorcer o versículo, apontando para o machismo de Paulo, que estaria livrando o homem da responsabilidade do casamento, deixando apenas a mulher com a responsabilidade de está ligada ao marido. É claro que esse pensamento é improcedente.

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