“E aos que chamou”

Paulo, escrevendo aos crentes romanos, ensinou que Deus chama o seu próprio povo à fé e ao arrependimento para a vida eterna. Este chamado não é comum ou simples, de modo externo e audível, como quando alguém chama por seu nome no trabalho ou na escola, mas um chamado especial.

No chamado externo ou geral, o evangelho é anunciado a todos os pecadores indiscriminadamente. Ali o pregador chama os homens à fé em Cristo e ao arrependimento, e todos que estão presentes podem ouvi-lo chamando-os à entregar suas vidas a Jesus. Este chamado, porém, é rejeitado sempre. Os Ouçam bem: ESTE CHAMADO É REJEITADO SEMPRE! Pecadores ouvem a mensagem de Jesus: “vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados, e os aliviarei”, mas rejeitam prontamente o convite do Filho de Deus, proferido pela boca do pregador. Além de permanecerem inertes em relação a Cristo e à vida eterna, ainda zombam de Jesus e de sua mensagem. O chamado geral é por si só ineficaz.

Porém a verdade é que “aos que [Deus] chamou” (Rm 8.30) o caminho para o céu está preparado e aplainado. O chamado referido por Paulo é o CHAMADO EFICAZ. Diferentemente do chamado geral, que é proferido pelo pregador, este é proferido pelo próprio Espírito Santo ao coração humano. O pecador simplesmente ouve o chamado interno, inconfundível e irresistível do Espírito de Deus. Ele o chama com um poder ressuscitador! O pecador que antes encontrava-se “morto em seus delitos e pecados” (Ef 2.1) é ressuscitado pelo Espírito e recebe vida plena. Observe que a Bíblia nos apresenta perfeitamente o estado humano, antes de Deus chamá-lo: MORTO! O homem não encontra-se meramente doente, ele acha-se morto espiritualmente e jamais poderia crer em Cristo por si só. É justamente por isso que o chamado geral, por sí só, fracassa sempre. Ele não é poderoso. Enquanto um fracassa sempre, o outro nunca falha. O chamado eficaz sempre, inevitavelmente sempre, leva o homem aos pés de Jesus Cristo. E para o chamado de Deus não há barreira e nem coração tão duro que não possa ser amolecido pela graça do seu poder. Não há relutância que não seja dobrada e nem incredulidade que não seja desfeita. Deus age tão poderosamente no ser do pecador, que ele desesperadamente corre para Jesus e o chama de Senhor. Deus opera sozinho, de modo que não precisa de um pregador tarimbado, nem de um sermão proferido dentro de todas as normas (e não estou desqualificando a importância de um sermão bíblico, apenas ressaltando a soberania de Deus). Ele não precisa de grandes oradores. Ele soberanamente rende o pecador e os faz baixar a sua guarda através do poder do seu chamado interno. Ali, o Senhor desfaz todas as amarras de Satanás, que prendiam o homem ao seu pecado. Exatamente como escreveu o puritano Thomas Watson:

 “Ele conquista o orgulhoso de coração. Ele muda a vontade, mesmo encastelada em uma muralha fortificada, de modo que ele ceda lugar e se submeta à sua graça. Ele faz o coração de pedra sangrar. Quão poderosa é esta vocação.”

Se hoje estamos ao lado do nosso Salvador, foi porque ouvimos a sua doce voz nos chamando a segui-lo. O Espírito nos vocacionou e nos mudou o coração. Nossos olhos foram por ele abertos, de modo que agora podemos ver maravilhosamente aquilo que antes não podíamos ver. E se muitos tem rejeitado o evangelho, é porque apenas ouvem o chamado geral. Note que a glória do chamado deve ser inteiramente dada a Deus, que chama. Nunca aos pregadores, nunca ao próprio homem que foi chamado, como se ele mesmo fosse o responsável pela sua salvação. A Glória é de Deus! “A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”

Pr. Marcus Paixão

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